Gestão de talentos no século 21

Gestão de talentos no século 21. Anseios, vantagens e pontos de atenção sobre os jovens que desembarcam no mercado de trabalho.





Vivemos num cenário de incertezas e anseios, em meio a uma pandemia que já se arrasta há quase dois anos, cercados de notícias caóticas, tais como mortes, crise política e econômica, desastres ambientais, conflitos ideológicos, desemprego, fome, miséria, dentre outros aspectos negativos e extremamente preocupantes.


Para os jovens, que representam uma geração bastante impactada pelos efeitos do “confinamento” e que desembarcam no mercado de trabalho em meio a essa parafernália, representados pelo legado de alto desemprego e falta de oportunidades, a sensação não poderia ser diferente. Pesquisas recentes do IBGE concluíram que aproximadamente 30% dos jovens com idades entre 18 e 24 anos, especialmente recém-formados, estão desempregados no Brasil.


Em meio a esse cenário, experimentamos um fenômeno social apelidado de geração “nem-nem”, constituída por jovens brasileiros que não possuem trabalho remunerado e que também não estudam. Esse fenômeno representa um ponto de atenção para o desenvolvimento do nosso país, que poderá vir a sofrer grandes impactos, com um legado de pessoas improdutivas, frustradas, que dependerão de suas famílias para sobreviverem, sem respaldo da Previdência Social, sem perspectiva de arcarem com suas contas a médio-longo prazo.


Cada dia, infelizmente, torna-se mais comum ver jovens que passam o dia navegando em suas redes sociais, jogando videogame, assistindo a plataformas de streaming, consumindo álcool e drogas, bem como casos de suicídio em nossa sociedade também foram observados com maior recorrência. A lacuna dessa força de trabalho e o potencial desequilíbrio social dentro de alguns anos precisam ser avaliados com cautela e é certo que precisamos de breves respostas.


Exatamente por conta destes pontos em aberto acima levantados, não podemos nos acomodar e nos conformar com essa situação, simplesmente reforçando a corrente do caos. As empresas – e principalmente suas áreas de Recursos Humanos – tem um papel fundamental nessa empreitada, no sentido de amenizar o choque gerado pela crise, recuperando a esperança e as boas perspectivas para os novos integrantes do mercado de trabalho, bem como na tarefa de selecionar, desenvolver e gerir talentos.


Alguns alvos específicos devem ser mirados pelos RHs para tentar contornar essa situação, traçando alternativas para fomentar o empenho das empresas na busca de novas carreiras, ampliando a gama de vagas para aprendizes, estagiários, trainees ou cargos que não demandem ampla qualificação em suas rotinas, buscando, com isso, minimizar os relatos mais comuns entre os jovens, que são: (i) a escassez de vagas disponíveis; (ii) a inexperiência do primeiro emprego; (iii) a especificidade dos cargos em aberto; e (iv) a informalidade nas contratações.


É sabido que muitos projetos interessantes vêm sendo desenvolvidos nessa vertente em muitas empresas, com grande representatividade e força das áreas de Recursos Humanos, principalmente nos setores de Tecnologia, Comunicação e Finanças, talvez pela maior facilidade na adaptação destas rotinas ao trabalho remoto e também por trazerem atividades mais atraentes e em linha com as expectativas dos jovens profissionais.


Vale lembrar que do lado dos aspirantes ao mercado de trabalho, também é preciso dedicação e empenho, estando atentos às vagas disponibilizadas, empreendendo todos os esforços possíveis, pois diante da situação que temos vivenciado, alguns processos seletivos têm se tornado mais lentos, devido ao elevado número de candidatos inscritos, o que requer mais tempo para o desfecho da seleção.


Talvez como vantagem em meio a esse pano de fundo crítico, seja possível ousar dizer que estes estreantes no mercado de trabalho possuem uma tendência a se tornar profissionais mais resilientes, se adaptando mais facilmente às adversidades e situações ainda não previstas, bem como se destacarem como profissionais mais empenhados que gerações anteriores.


De qualquer forma, é preciso vislumbrar uma solução e virar esse jogo, a fim de evitar que as sequelas do desequilíbrio trazido com a COVID-19 perdurem por muito tempo em nossa sociedade. Empresários, políticos, associações voltadas a Recursos Humanos, ONGs, enfim, todas as pontas da sociedade precisam se unir para estimular o ingresso dos jovens no mercado de trabalho, formalizando suas relações de trabalho e buscando a continuidade do avanço econômico-social de nossas futuras gerações.


Maristela Marquiafave - Diretoria de Conteúdo do Squad de Compliance e Boas Práticas da ABPRH