Problemas de engajamento? A educomunicação empresarial pode ser uma solução



Conversando com alguns colegas que atuam em RH, uma área estratégica para a maioria das empresas, percebi que uma das principais dificuldades durante a pandemia foi manter o engajamento e a produtividade dos times que estão em trabalho remoto, o popular home office. Mas, por que isso acontece e, principalmente, como resolver esse problema? Dica: a resposta pode estar na educomunicação.


Não precisa ser um expert para saber que engajar pessoas não é tarefa fácil. Afinal, para que alguém se comprometa e se empenhe no trabalho, não basta a empresa garantir o salário e os benefícios no final do mês. Especialmente se o time for composto por pessoas das gerações Y e Z, que são multitalentosas, criativas, exigentes e questionadoras.


Para que essas pessoas transformem criatividade em produtividade, é preciso que o trabalho que executam faça sentido para elas e esteja alinhado com suas crenças, cultura e propósito de vida. É nessa hora que a educomunicação, mais especificamente a educomunicação empresarial, um conceito ainda pouco difundido em nosso país, surge como uma grande aliada não só do RH, mas do marketing empresarial como um todo.


Universidade corporativa x Universidade Educomunicativa


O modelo de universidade corporativa nasceu na década de 1920 e tinha como principal objetivo resolver problemas pontuais de produtividade, por meio de treinamentos geralmente direcionados a gerentes e executivos. Normalmente os programas educacionais dessas universidades não consideravam o plano estratégico de negócio ou de marketing empresarial.


Na década de 1980, houve um ajuste nesse modelo de educação corporativa, a partir de iniciativas como a da Disney University, em que todos os funcionários, independentemente do cargo, eram treinados com o objetivo de aumentar a produtividade pelo engajamento dos colaboradores com a visão, valores e cultura organizacional. Em outras palavras, surgiu uma era da Universidade de Qualidade Corporativa.


Atualmente, a pandemia e os avanços tecnológicos trouxeram uma nova realidade para as empresas. Já que estas estão percebendo que implantar plataformas EaD para oferecer treinamentos e atualização profissional não é suficiente para manter os times engajados. É aí que surge o conceito de Universidade Educomunicativa: que busca a sustentabilidade do negócio, por meio da integração não só das áreas da empresas, como RH e Comunicação, mas principalmente a integração da diversidade de indivíduos e culturas que permeiam o ambiente corporativo por meio de uma comunicação inovadora.


Educomunicação empresarial: engajar pelo pertencimento ao negócio


A educomunicação empresarial vai muito além da criação de tevês e rádios corporativas para propagar uma cultura organizacional engessada e tradicional. Ela tem a ver com a gestão da comunicação, alinhada às estratégias de marketing empresarial. Assim, visa usar as ferramentas de comunicação, inclusive mídias sociais, para o diálogo cultural entre empresa e colaboradores, no qual ambos tenham efetiva e equitativamente voz ativa na escolha das metodologias de trabalho e identificação de problemas na empresa. Bem como, possam manifestar suas opiniões e expressões culturais com liberdade.


É isso que dá aos times a sensação de pertencimento e quando você pertence a algo, se sente motivado a fazê-lo dar certo e crescer.


Silvana Cordeiro é educomunicadora, embaixadora de Conteúdo do squad de Comunicação e Marketing do HUBRH+ e CEO da Plena Palavra Consulting.